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Armindo
Araújo faz balanço positivo da estreia no Mundial |
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“Estou
mais forte que em 2007” |
motor -
Série II Ano X Nº523
15|Janeiro|2008 |
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Enquanto espera pela «luz verde» para a participação no Mundial de Ralis
Produção 2008, que vai surgir muito provavelmente ainda esta semana,
Armindo Araújo fez um balanço à pretérita época e falou do que de bom e
de menos bom lhe aconteceu, assumindo que, este ano, pretende lutar pelo
título.
José
Gonçalves |
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A época
passada não foi muito boa em termos de resultados para Armindo Araújo e Miguel
Ramalho no Campeonato do Mundo de Ralis Produção, mas os desempenhos da dupla
estiveram quase sempre em plano muito elevado. O talento de Armindo foi
reconhecido por toda a gente e teve o ponto alto no Rali da Irlanda, mesmo se o
tirsense acabou por desistir nessa prova. Pelo meio, vários foram os pilotos que
fizeram questão de lhe dar os parabéns pelas brilhantes estreias, entre eles,
nada mais nada menos do que Marcus Gronholm.
Motor: Qual é o balanço que fazes da época de 2007?
Armindo Araújo: É positivo. Acho que, embora o resultado em termos
pontuais não tenha sido o que inicialmente desejávamos, fizemos um bom
campeonato. Conseguimos mostrar o nosso valor, a nossa rapidez. No entanto,
houve alguns problemas que nos condicionaram as pontuações no final.
M: Problemas normais de corrida?
AA: Completamente. Refiro-me a problemas mecânicos, que não eram normais
no nosso Mitsubishi. Fomos excluídos de uma corrida, porque o nosso carro não
estava conforme a ficha de homologação. Não tirámos daí quaisquer benefícios,
corremos em igualdade de circunstâncias com os nossos adversários, mas um
problema de secretaria tirou-nos o segundo lugar no Rali do Japão.
Depois, na Irlanda, numa prova em que chegámos a liderar, tendo andado nos três
primeiros desde início, acabámos por desistir. A saída foi um erro meu,
assumo-o, mas se fosse hoje teria feito exactamente a mesma coisa, porque a
minha postura nos ralis é ser sempre ambicioso, nunca baixar os braços. E numa
altura em que já não lutava pelo campeonato, não fazia qualquer sentido estar a
levantar o pé. Obviamente, se as contas fossem diferentes, se ainda estive na
luta pelo título, teria colocado os pontos em primeiro lugar.
M: Qual foi o melhor momento da época? E o pior?
AA: O melhor foi a nossa presença no Mundial de Ralis. Isso é que é
importante realçar. Fomos a única equipa portuguesa presente. Há vários anos que
estava a tentar montar este projecto e conseguimo-lo no ano passado. Em termos
desportivos, fizemos uma boa preparação para a Suécia, o que acabou por resultar
num quarto lugar no Grupo N, um resultado melhor do que o esperado. Primeiro
Mitsubishi, primeiro piloto não nórdico e o quarto lugar... Foi bom. Depois
tivemos momentos de muita rapidez, na Irlanda, na Nova Zelândia, um rali muito
difícil. Liderámos o Rali da Irlanda e ganhámos um troço à geral no Japão...
M: Essa vitória num troço foi o momento que melhor te soube?
AA: Foi a cereja em cima do bolo. Foi saboroso. O rali que não correu tão
bem e que foi mais difícil do que estava à espera foi o de Gales, que
teoricamente seria um rali mais convencional, em que as coisas podiam ter
corrido melhor. Acabou por ser o pior. Não acertámos no set-up do carro desde o
início, não acertámos com a suspensão, chegámos a ter dois furos no mesmo
troço... Uma série de problemas que nos foram atrasando gradualmente.
M: E ainda por cima foi um rali extremamente duro...
AA: Terrivelmente. Para além disso, grande parte dos troços é exactamente
igual desde há muito e o conhecimento ali é preponderante.
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O título
é possível
Partindo do
princípio que Armindo Araújo concretiza o projecto no Mundial, como é dado
praticamente adquirido, o piloto acredita que pode andar entre os concorrentes
da frente: “Neste momento, ainda não sei se vou fazer o Campeonato. Ainda não
está tudo definido. O que posso dizer é que, depois desta experiência, estou
mais forte do que em 2007. Mas continuo a dizer que, em 2007, aconteceram
azares. Poderia ter lutado pelo título logo no ano de estreia e acho que fiz
boas corridas. Agora, se correr em 2008, o meu objectivo é lutar pela vitória.
Certeza que sim. Vou lutar como fiz em 2007 para obter os melhores resultados
possíveis, para ganhar corridas e para no fim estar na luta. Obviamente, não
interessa só a vitória. O segundo ou o terceiro lugar também são bons. Mas
quando entro é para ganhar”.
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Fim do Mitsubishi WRC não afectou
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Estando
Armindo Araújo ligado à Mitsubishi, a existência de um programa
da marca com Lancer WRC no Mundial podia ser o caminho lógico
para a carreira de Armindo Araújo, em 2009, depois de um 2008 de
consolidação ainda na Produção. Todavia, o anúncio do fim do
programa WRC veio obrigar a um redireccionamento, o que, na
opinião do piloto, não tem qualquer consequência negativa.
“A minha carreira está a assente em passos lógicos, com os
pés bem assentes na terra. Portanto, a minha linha não passaria
necessariamente pela equipa com um WRC. Seria uma das hipóteses.
Neste momento, é menos uma. Trabalhamos para evoluir sempre e as
hipóteses vão aparecendo naturalmente”,
esclareceu.
Ainda na mesma lógica, era inevitável perguntarmos se foi um
erro ter disputado o Rali de Portugal:
“Não. Aprendi imenso com o WRC. Tirei as partes positivas,
porque o negativo traduz-se no facto de não podermos entrar em
apenas uma corrida com um carro tão evoluído. É impossível um
piloto e uma equipa trabalharem em conjunto em meia dúzia de
horas para conseguirem um bom resultado. Não era um carro de
ganhador e a equipa estava a fechar. Portanto, estávamos nos
limites de tudo. As coisas não correram bem em termos de
resultado, mas aprendi imenso e tenho agora mais experiência”.
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O
ideal para 2009 |
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campeonatos do Mundo estão em mudanças regulamentares. Tudo indica que os
WRC vão acabar e que os Grupos N e S2000 serão os carros de topo do
mundial. Nós já estamos num carro de Grupo N e acreditamos que, se estes
carros são o futuro e se estivermos integrados numa boa equipa e a rodar
no Mundial, quem sabe, daqui a dois ou três anos, não estamos a lutar
pelas vitórias absolutas”. |
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Bernardo Sousa é uma mais-valia no Mundial |
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Ainda antes
da confirmação de Armindo, já Bernardo Sousa garantiu um programa no Mundial,
facto que o tirsense vê com muito bons olhos: “É uma mais valia para Portugal.
Temos de puxar para que mais pilotos lusos corram em campeonatos internacionais.
O que mais peço é que o Campeão Nacional deste ano, o Bruno Magalhães, reúna o
mais rapidamente possível condições para ir para um campeonato internacional.
Que não tenha de passar o que passei, ter de ganhar quatro campeonatos para ter
uma oportunidade. Quanto mais cedo pudermos ir para fora, melhor. O Bernardo é
uma mais valia para todas as partes. Para mim, para o Campeonato, para os ralis
em Portugal e para os portugueses. Para todos”.
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Miguel Ramalho sobre o intenso ano de 2007 |
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“Cansativo mas repetia” |
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O último, foi seguramente o ano mais preenchido da carreira do
navegador. Para além de mais um título de TT na algibeira,
estreou-se no Mundial de Ralis, mas apesar do ritmo louco em que
viveu e que aqui nos relata, não hesita em dizer que repetia a
experiência. |
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Miguel Ramalho é um dos melhores co-pilotos portugueses, como o
seu currículo recheadíssimo de vitórias bem o demonstra, mas não
deixa que o sucesso lhe suba à cabeça e encara cada novo desafio
como se fosse o primeiro, o que em parte explica por que é um
profissional de excelência. A estreia no Mundial de Ralis não
foi excepção e Miguel conta-nos aqui quais foram as principais
incidências da época.
Motor: Como foi a estreia no Campeonato do Mundo?
Miguel Ramalho: Foi complicada. Complicada na medida em
que era uma novidade e eram provas novas. Era uma novidade o
Campeonato em si, com procedimentos aos quais não estávamos
habituados e provas novas. Provas novas implica prepará-las,
tirar notas e todo o trabalho inerente. Foi trabalhoso. Não foi
complicado, porque não se trata de uma coisa de outro mundo, mas
foi trabalhoso. Exigiu tempo de preparação, exigiu algum estudo.
Por outro lado, é evidente que foi um acumular de experiência
absolutamente fantástico.
M: Correspondeu às tuas expectativas? Superou-as? A
adaptação foi fácil?
MR: É óbvio que nós não conseguimos obter os resultados
finais que estávamos à espera. Não conseguimos resultados nas
provas, aqueles que gostaríamos de ter tido. Mas estivemos
sempre, enquanto participantes, num plano muito bom. Andámos
sempre no grupo da frente em todas as provas. Nesse aspecto, foi
um ano extremamente positivo. Percebemos que efectivamente
tínhamos condições para lutar por alguma coisa. Tivemos uma
série de azares... até nem lhe chamaria azares: aconteceu uma
série de coisas que limitou os resultados, mas que no fundo são
coisas próprias das corridas. Há anos que correm bem, há anos
que correm mal...
M: Conhecias muito bem o Armindo Araújo enquanto piloto
no Nacional. Como é que o avalias neste ano?
MR: Exactamente da mesma forma. Já corremos juntos há uma
data de anos e não fizemos nada de substancialmente diferente no
Campeonato do Mundo do que fazíamos em Portugal. Isto é, já em
Portugal tínhamos um regime de treinos e reconhecimento das
provas muito limitado. Não é por já há quatro ou cinco anos
termos a ideia de disputar o Mundial, mas porque sabemos que a
tendência das provas é exactamente essa: reconhecimentos cada
vez mais limitados. O facto de nós fazermos isso há alguns anos,
nos campeonatos nacionais, foi uma mais-valia muito importante.
Porque, efectivamente, nós chegámos e conseguimos, com duas
passagens, andar no grupo da frente em qualquer tipo de rali.
Isso só foi possível porque nós já trazíamos de trás esse hábito
e essa experiência, algo que sempre nos esforçámos por fazer em
Portugal.
M: O último semestre foi o mais duro da época?
MR: No início do ano, houve o problema de fazer o Dakar,
depois o rali na Finlândia e a seguir o da Suécia, tudo seguido.
Foram quase dois meses com provas seguidas. Mas eu já estava
mentalmente preparado para isso. Isso implicou viver corridas 24
horas por dia, durante dias, semanas seguidas. Relativamente à
segunda metade do ano, o que aconteceu foi haver uma série de
provas – Mundial, Todo-o-Terreno, testes em Marrocos, saídas
para preparação disto e daquilo. Além disso, tenho uma empresa,
na qual fizemos alguns investimentos grandes no ano passado, e
era preciso dedicar-lhe alguma atenção. Isso tudo junto
acarretou uma sobrecarga de trabalho a todos os níveis, muito
tempo ocupado, quer no escritório quer nas corridas. Foi muito
cansativo fisicamente. Mas se for preciso repetir, fá-lo-ia sem
pestanejar.
Miguel não concluiu sem agradecer à Mitsubishi e aos
patrocinadores e resta dizer que 2008 se perspectiva como um ano
tão ou mais intenso do que o que há pouco findou para o
navegador.
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